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domingo, 11 de dezembro de 2016

#CantinhodaCultura

Ferreira Gullar – Grande nome de nossa literatura

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira, é um dos nomes mais representativos da moderna literatura brasileira. Sua extensa e diversificada produção literária e teórica fez do escritor um dos mais importantes poetas e críticos de arte brasileiros da atualidade. Nasceu no dia 10 de setembro de 1930 e foi no ano de 1940, em São Luís, Maranhão (sua terra natal), que teve início sua carreira poética, cujo sucesso o conduziria a uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras em 2014.
O primeiro livro de poesias, Um pouco acima do chão,foi publicado em 1949 quando o poeta tinha apenas dezenove anos. Nessa fase, Gullar, em período de formação, mostrou-se influenciado pelas estéticas simbolistas e parnasianas. Posteriormente, no início da década de 1950, escreveu os poemas de A luta corporal, livro no qual é possível notar certa semelhança com a poesia dos poetas paulistas que, em 1956, lançaram o Concretismo. Explorando propriedades gráficas e vocais das palavras, rompendo com a ortografia e com as convenções da lírica tradicional, Ferreira Gullar integrou de maneira circunstancial o Movimento Concretista , do qual se afastou por causa de discordâncias em relação às suas propostas teóricas. Abandonou as experiências de vanguarda e engajou-se na política por meio do Centro Popular de Cultura (CPC), grupo de intelectuais de esquerda criado em 1961, no Rio de Janeiro, cujo objetivo era defender o caráter coletivo e didático da obra de arte, bem como o engajamento político do artista.
Não há vagas
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
- porque o poema, senhores,
está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Nessa mesma década, 1960, a poesia de Ferreira Gullar já mostrou um estado de alta tensão psíquica e ideológica: seus textos, independentemente dos temas abordados, são participantes, isto é, engajados, evidenciando a preocupação do poeta com as mazelas sociais e, sobretudo, a preocupação em contribuir para a transformação da sociedade brasileira. Por sua intensa participação política, foi perseguido pela Ditadura Militar e, no exílio em Buenos Aires, escreveu Poema sujo, considerado uma obra-prima da literatura brasileira. Gravado em uma fita cassete, o poema foi trazido para o Brasil pelo amigo, o também poeta Vinícius de Moraes, e no ano de 1976 foi, finalmente, publicado.
Curiosamente, o reconhecimento da importância de sua obra aconteceu apenas na década de 1990, período em que foi agraciado com diversos prêmios e homenagens, entre os quais o Prêmio Jabuti (o mais importante prêmio literário do Brasil), o Prêmio Machado de Assis (oferecido pela Academia Brasileira de Letras) e o Prêmio Camões (concedido pelos governos do Brasil e de Portugal a autores que tenham contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa), além de uma indicação ao Prêmio Nobel de Literatura no ano de 2002. Paralelamente à produção poética, Ferreira Gullar construiu uma sólida obra teórica e crítica no campo das artes visuais, na qual reviu antigas posições (principalmente em relação ao uso da poesia como instrumento de conscientização social) e tratou de questões referentes à arte contemporânea produzida no Brasil e em outros países.
Infelizmente faleceu na semana que passou, mas deixou suas obras para que possamos repensar sobre a vida.
Descanse em paz e para nós que possamos conhecer suas obras.
Evelyn
Equipe Blog do Maurício

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