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domingo, 10 de abril de 2016

#CantinhodaCultura

A ditadura militar e a censura no cinema

"Às vezes, o filme não era impedido, mas era mutilado com tantos cortes!"
Durante a Ditadura, mesmo com a censura, a cultura brasileira não deixou de criar e se espalhar pelo país.
 Durante a década de 1950, a indústria cultural brasileira sofria com diversos entraves que impediam a realização de produções cinematográficas e, conseqüentemente, a produção de obras com grande qualidade técnica. Um pouco antes dessa época, a indústria cinematográfica paulista viveu uma pequena fase de ascensão incapaz de consolidar a “sétima arte” no Brasil. Dessa forma, jovens intelectuais e artistas passaram a discutir um novo rumo para o cinema nacional.
A primeira importante manifestação desse sentimento de mudança aconteceu em 1952, com a organização do I Congresso Paulista de Cinema Brasileiro. Nesse encontro, além de pensarem sobre alternativas para a incipiência da arte cinematográfica, seus integrantes se mostraram preocupados em se distanciar do prestigiado modelo ficcional do cinema norte-americano. Dessa forma, tiveram grande interesse em dialogar com os elementos realistas oferecidos pelo neo-realismo italiano e a “nouvelle vague” francesa.
A primeira fase, logo após o golpe, encontra o cinema brasileiro em uma fase muito profícua. Era o auge do Cinema Novo, que tinha se iniciado com Nelson Pereira dos Santos (Rio, 40 Graus, 1955, e Rio, Zona Norte, 1957). Nessa época, não era comum que as favelas e a população pobre entrassem na pauta do cinema. Influenciados pela proposta política do Neorrealismo Italiano e pela estética da Nouvelle Vague, surgem vários jovens cineastas que desejam buscar a identidade do Brasil por meio do cinema.
Eles entendiam o cinema como instrumento de ação política, conscientização e mobilização. A realização do filme com poucos recursos era uma opção ideológica. Segundo a frase de Paulo César Saraceni, só era preciso “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Os nomes mais representativos do Cinema Novo são Glauber Rocha, Carlos (Cacá) Diegues, Joaquim Pedro de Andrade, Ruy Guerra, Leon Hirszman, David Neves e Paulo Cézar Saraceni. Pode-se dizer que Eduardo Coutinho, Walter Lima Júnior e Arnaldo Jabor compõem a segunda geração do Cinema Novo. Um dos nossos maiores cineastas, Nelson Pereira dos Santos, ativo até hoje, é considerado o precursor, mas não se alinha como um “cinemanovista”.
O clássico de Glauber Rocha Deus e o Diabo na Terra do Sol (seu segundo longa metragem) estreou, em sessão reservada para amigos e críticos, no mesmo dia do famoso comício de João Goulart na Central do Brasil, em 13 de março de 1964. Na última semana de março de 1964, Glauber Rocha leva para o Festival de Cannes seu filme – que já estava escolhido como representante oficial do Brasil – e, ainda, Ganga Zumba, de Cacá Diegues e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, como convidados, sem participarem da competição. Enquanto Glauber estava na Europa, Deus e o Diabo na Terra do Sol foi exibido em uma sessão exclusiva para militares que opinaram pela destruição imediata das cópias do filme. O prestígio internacional dos filmes brasileiros deixa os militares e os censores em situação delicada. Chamava muito a atenção e impedirem a exibição de filmes que estavam sendo valorizados no exterior. Deus e o Diabo acabou sendo liberado, para maiores de 18 anos, apesar de ser considerado ruim por uma censora porque “mostra o desencanto dos pobres pela falta de caridade dos abastados” ou, por outro censor, que “mostra pobreza em demasia, não é aconselhável mostrar em cinemas estrangeiros, para não ridicularizar o país”. 
A censura foi uma das mais poderosas armas de sustentação da ditadura militar brasileira. Competente e incisiva fez valer a vontade do regime militar. Calou, frustrou, destruiu impiedosamente caminhos almejados de muita gente e com isso controlou o público do que ele poderia ter ou não acesso.
http://neteducacao.com.br/
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"Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em um cofre não se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista. Guardar uma coisa é olha-la, fita-la, mira-la por admira-la, isto é, ilumina-la ou ser por ela iluminado. Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se declara e declama um poema".
Antonio Cícero
Abaixo deixo um dos filmes que marcaram época. Para quem se interessar, assista.
                         
A ditadura proibia que se visse esse tipo de filme brasileiro. Hoje, quando temos nossos direitos sobre eles, a população brasileira se mostra alienada pelos aparelhos ideológicos do Estado.
Evelyn
Equipe Blog do Maurício

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